sábado, 20 de fevereiro de 2010

O SEMIARIDO PODE VIR A SER UM OASIS


"O deserto e o lugar solitário se alegrarão disto; e o ermo exultará e florescerá como a rosa. Abundantemente florescerá, e também jubilará de alegria e cantará; a glória do Líbano se lhe deu, a excelência do [monte] Carmelo e [na planície de] Sarom; eles verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus."(Isaías 35.1-2)

Permitam-me compartilhar um sonho., uma das muitas bandeiras que defendo: a transformação do semiarido brasileiro num oasis produtivo e autosustentavel. O semiarido é um território imenso, com duas vezes mais habitantes que Portugal, um território no qual caberiam a França e a Alemanha reunidas. Essa imensidão não é unifome: trata-se de um verdadeiro mosaico de ambientes naturais e grupos humanos, de uma riqueza ainda não explorada que poderia muito bem garantir o desenvolvimento autosustentavel de toda a região.

A região do semiarido, além de constantemente assolada pela seca, tem sofrido com uma ameaça ainda mais assustadora, a desertificação. Após tentativas frustradas de medidas emergenciais de amenização dos problemas ecológicos e sócio-econômicos da região, resolveu-se desmistificar a idéia de combate à seca como uma solução hábil e, enfim, reconhecer a riqueza e a necessidade de preservação de um ecossistema tão útil e diversificado como o semi-árido. Deste modo, não se torna viável exportar soluções para o problema, e sim criá-las a partir do estudo de caso do ambiente onde serão aplicadas, para que sejam verdadeiramente viáveis. Sendo assim, o propósito seria não mais salvar o semi-árido, e sim conviver com ele, cultivá-lo.

Apesar da importância estratégica do Semi-árido para o Brasil, pouco tem sido feito em termos de uma política que levasse ao conhecimento do potencial da região visando o desenvolvimento científico e tecnológico e sua sustentabilidade. Recentemente, no entanto, o Brasil tem mostrado maior preocupação, e ações coordenadas do governo têm sido apresentadas.
Mesmo em face da grande antropização (ação desordenada do Homem), especialmente nas áreas de menor altitude, o Semi-árido ainda possui uma grande variedade de tipos vegetacionais, incluindo diferentes climas, sistemas de chuvas, relevos, solos e hidrografias. Esta diversidade tem possibilitado a manutenção de uma população com cerca de 20 milhões de habitantes, sendo essa a região semi-árida mais populosa do globo.
A degradação ambiental da caatinga, vegetação predominante no Semi-árido brasileiro, é resultado de mais de três séculos de uso inadequado da terra. Desse modo, torna-se emergente a elaboração de políticas sérias que tenham como prioridade reduzir a degradação ambiental e ampliar o conhecimento da biodiversidade da região. Para que, a partir daí, o desenvolvimento nessa área possa ocorrer de forma sustentável, deixando, assim, de representar um entrave social para o país.
Considero quaisquer esforços de reestruturação dos mecanismos e orgãos existentes de combate à seca, ou aperfeiçoamento tecnologico voltado para o semiarido ineficazes e numa estimativa menos drástica, pouco producentes. A razão é simples: não existe uma destinação de recursos por parte do Governo Federal de forma contínua e sólida. E quando existe, o efeito não é abrangente, deixando a maior parte do Nordeste brasileiro onde se situa o semiarido ao Deus dará.
É possivel mudar essa realidade a partir dela mesma, como aconteceu no deserto de Israel através da tecnologia dos kibutz, o que era infertil veio a ser a alegria da região, com exportação de insumos agricolas e tecnologia autosustentavel para inumeros paises do mundo.
Não adianta o Governo assistir apenas uma parte da região do semiarido, porque o processo de desertificação avança no todo, daí a necessidade de atacar o problema de forma energica e isto só pode acontecer através da criação de uma pasta ministerial, o Ministério do Semiarido, atraves do qual a União disporá recursos anuais próprios para se fomentar uma linha de ação que contemple não apenas um ou dois estados, mas toda a circunferencia do semiarido brasileiro provocando o desenvolvimento tecnoligico e autosustentavel in loco, gerando riquezas e estabilidades que se reverteram para a igualdade regional nacional. Esse é meu sonho.